Análise objetiva dos objetos
Quebra-cabeça e Boneco Articulado
O quebra-cabeça, uma vez que possui peças que são previamente cortadas e que só se encaixam de uma única forma, limitam a criatividade de quem o monta. Além disso, à medida em que a figura foi pensada para ter um número definido de peças, quando se adiciona novas peças ao jogo, ou se retira as que fazem parte dele, a atividade perde o seu sentido inicial. Nesse sentido, é impossível montar formas e imagens diferentes das pré-estabelecidas pelo fabricante daquele produto, restringindo as possibilidades de interação entre jogo e indivíduo e desestimulando o raciocínio criativo. Assim, como descrito no texto "Animação Cultural" de Vilém Flusser, percebe-se que o objeto controla a maneira com que o humano irá utilizá-lo, impactando a funcionalidade do jogo e limitando as alternativas de uso daquele item. Por fim, um último paralelo que pode ser feito é entre o entendimento objetivo do objeto quebra-cabeça e as ideias veiculadas no documentário "O dilema das redes". Isso porque, no longa, é mostrado que os algoritmos, com o intuito de manter o usuário engajado nas plataformas, recomenda a ele postagens específicas, sendo capaz de direcionar o comportamento daquele indivíduo na internet. Dessa forma, assim como no quebra-cabeça, nas redes são apresentadas à pessoa somente algumas peças de informação, escolhidas "à dedo" e que, ao serem montadas, direcionam a formação de uma imagem previamente delimitada e que é coerente com os interesses e opiniões de quem a consome. (Escrito por Bruna Fernandes)
No tocante ao boneco articulado destaca-se que, devido estar diretamente atrelado, no consciente coletivo, à atividade artística, com muitas sendo as ilustrações, imagens e outras formas de mídia que o associam ao espaço do ateliê, é possível relaciona-lo de maneira subjetiva a criatividade. Contudo, realizando uma análise posterior percebe-se que o objeto pode, ao invés, atuar de forma a limitar a liberdade de seu usuário. O desenho e a pintura não são produções livres de fórmulas, o movimento impressionista, por exemplo, desafiava as normas acadêmicas ao discordar quanto a imperatividade de se desenhar antes de vir a pintar um quadro, por sua vez, o boneco articulado urge o desenhista a pensar o corpo em formas geométricas conhecidas e, de certa maneira, a se contentar em capturar os movimentos viáveis de se alcançar com o auxílio do instrumento. Sendo assim, é notável a tênue relação entre a forma com que a experiência humana molda a própria produção e o quanto, no fim, é moldada por ela, como discorre Flusser em seu texto “Animação Cultural. (Escrito por Isabella Freitas)
.png)
Comentários
Postar um comentário