Crítica Estruturada: Imagem e GIF

Cauã Cantarino: 

O aspecto mais interessante da composição feita por Cauã são as variadas texturas presentes na imagem, responsáveis por causar uma curiosidade ao observador, que não consegue decifrar com certeza do que se trata. Além disso, o fato da montagem ter sido feita em preto e branco contribui ainda mais para a coesão entre esses elementos, o que provoca um interesse ainda maior na foto, uma vez que ela é composta por formas, texturas, tamanhos e opacidades completamente diferentes, mas são unidas por meio das tonalidades semelhantes entre elas. A exploração estética feita a partir das imagens base consegue atingir o patamar da abstração, produzindo um resultado instigante e bastante agradável de se analisar. 

A premissa do GIF produzido por Cauã a partir de um desenho do Edifício Niemeyer é bastante divertida. Na animação, os andares da construção são desintegrados e dão espaço a uma segunda figura que cobre a tela ao fim do vídeo. No entanto, o corte da imagem sobreposta à ilustração do prédio foi um elemento que me causou estranhamento, uma vez que não se encaixa no vácuo deixado pelo desaparecimento dos patamares do edifício, apenas cobre o vão de uma maneira na qual não pude enxergar uma intencionalidade. 


Matheus Henrique de Moura: 


A simetria é um aspecto chave da composição abstrata de Matheus, que brinca com diferentes formas em sua imagem. Os dois triângulos que se sobrepõem ao centro da imagem atraem o olhar para essa região, principalmente pelo contraste de tons entre os dois, de forma que o triângulo da parte superior é branco e o inferior cinza com textura. Além dessa diferença na coloração das formas triangulares, outro aspecto que me atraiu foi o fato do vértice do triângulo cinza inferior tocar perfeitamente o vértice de uma sombra triangular formada no interior do triângulo branco superior. Já nas laterais desse eixo central, apresentam-se formas mais curvilíneas. Um aspecto interessante que notei na montagem foi o fato de que as figuras mais claras foram colocadas no topo da imagem e as figuras mais escuras na parte inferior, enquanto o pano de fundo para toda a composição apresenta tanto tons mais claros, quanto mais escuros. A única crítica negativa que eu teria a fazer sobre essa composição é quanto ao corte de algumas figuras, nas quais é possível ver resquícios das imagens originais das quais elas foram retiradas e em algumas partes há curvas que não ficaram tão delicadas em função da maneira com que a imagem foi cortada. 


A característica mais chamativa do GIF de Matheus é o contraste entre a fixidez da forma sólida que fica no primeiro plano da imagem e o fundo que troca de cor dando movimento ao segundo plano. Uma coisa bastante interessante dessa montagem é a ordem com a qual as cores foram colocadas na animação, de forma que os tons mudam de forma gradativa e coesa. Além disso, essa suave transição entre as cores contribui para que não haja um corte claro entre o fim do vídeo e a repetição em looping que o segue, ou seja, as transições não ocorrem de maneira brusca, impossibilitando afirmar quando é o início e quando é o fim do GIF. No entanto, ao menos para mim, as cores não são as protagonistas da composição, mas sim as formas colocadas ao centro da imagem, que instigam a curiosidade do observador, uma vez que os patamares, que se tornam mais escuros à medida que se olha para o "andar" de cima, direcionam o olhar para um vão completamente preto que causa interesse.  


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